terça-feira, 26 de outubro de 2010

O passado que o futebol canta


Porque fazemos o que fazemos. O futebol e seu hinos.


Segundo texto de Jean Lauand , o filósofo alemão Josef Pieper lembra uma importante regra da hermenêutica: é preciso estar atento às evidências que não se expressarem. De fato, sobre o que é evidente não se fala e, muitas vezes, trata-se do mais importante: que o autor antigo não expressa, precisamente porque é evidente, para ele e os leitores de seu tempo (mas não para nós...). O filósofo alemão Heidegger, em sua interpretação de um texto de Platão, chega a dizer que a doutrina de um pensador está no “não-dito no dito”.
Quando analisamos as letras dos hinos em geral – e também os (oficiais ou não) dos clubes de futebol-, frequentemente deparamos com uma linguagem estranha: ufanismo mais ou menos ridículos; belicismos, anacronismo; exortações que tinham sentido na época em que foram compostos, mas não hoje.
Então a pergunta que a Maiz Brand faz: porque esta devoção em continuar a entoá-los, em coro de milhares durante os piores ou melhores momentos de um jogo, ou qualquer outro momento de celebração? Talvez uma das hipóteses de resposta venha diretamente do cérebro. Análises de neuromarketing desenvolvidas por pesquisadores da neurociência, relatadas por Martin Lindstrom no livro A lógica do Consumo. Descobriu que marcas fortes geravam mais atividade que marcas fracas em muitas áreas do cérebro ligadas a memória, emoção tomada de decisões e significado. Todavia, ver imagens dos astros do esporte realmente ativava a parte do cérebro associada à sensação de recompensa (o córtex orbitofrontal media inferior) de maneira semelhante aos padrões de excitação gerados pelos ícones religiosos, sugerindo que os sentimentos de recompensa associados a uma vitória no campo de futebol eram semelhantes aos sentimentos de recompensa associados a, por exemplo um sermão comovente na igreja.
Contudo, tanto as marcas fortes quanto as marcas fracas tinham muito mais poder do que imagens esportivas para estimular regiões cerebrais de armazenamento de lembranças e tomada de decisões.


Vamos falar mais sobre isso? Contate-nos (51) 3237.2334


Fontes:

LINDSTROM, Martin. A Lógica do Consumo: verdades e mentiras sobre por que compramos. Rio de Janeiro. Nova Fronteira 2009.

Zero Hora, Porto alegre, 23. Out. 2010

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